A direção do Colégio Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira procurou o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) para denunciar a atitude da Subsecretaria Metropolitana de Educação (Sume), que não continuará com o projeto de Educação para Jovens e Adultos (EJA) no próximo ano. A decisão foi constatada há aproximadamente três semanas quando o colégio recebeu o programa de reordenamento para 2010 que traça o planejamento para o ano seguinte, e, neste não estava incluído o programa de ensino que beneficia 134 alunos, divididos em quatro turmas.
A direção da escola diz não ter sido procurada para discutir o assunto. Mas, estão articulando ações para que a decisão não se implemente. Ela também buscou ajuda das autoridades da educação, alunos e a comunidade para que a intenção da subsecretaria de acabar com o EJA não se concretize. “A escola não pode ficar fechada à noite, a comunidade nos elogia por ser um colégio organizado e que não causa problemas, nunca tivemos um caso de briga. Além de tudo o colégio tem um ótimo conceito, na última prova do ENEM o JK ficou em terceiro lugar. Os alunos não estão contentes, muitos deles dizem que não vão para outro colégio”, afirma a diretora Luciana Nascimento.
A proposta de retirar o EJA do Colégio JK tem desagradado toda a sociedade. A diretora, disse que “os alunos não querem essa transferência, muitos deles trabalham aqui perto, vem até de uniforme. Muitas mães trazem suas crianças que ficam na biblioteca enquanto elas estudam, é um colégio familiar, uma escola acolhedora”.
Outra preocupação que incomoda o Sintego e a direção do Colégio é não saber o que acontecerá com os 20 professores e trabalhadores da educação que compõe o turno da noite. Os trabalhadores não sabem se todos serão transferidos ou de que forma serão remanejados em outros colégios. “O fechamento do EJA do Colégio JK não será benéfico para os alunos nem para os trabalhadores, por isso o Sindicato apóia essa luta”, explica Iêda Leal, presidenta do Sintego.
A funcionária responsável pela Educação para Jovens e Adultos, Josiane Peres Soares disse que os alunos que estavam matriculados no JK serão direcionados para o Colégio Bandeirantes. Existe também um documento que foi repassado para o JK notificando a transferência automática dos 134 alunos para o Colégio Bandeirantes. Segundo a diretora do Colégio JK a Sume tomou essa decisão visando reduzir os custos. No entanto essa situação não agrada os principais envolvidos, os alunos e trabalhadores da educação que atuam nesse colégio.
O aluno Kaio Chagas que estuda no Colégio JK se mostra bastante preocupado com essa situação. Tanto que ele mesmo conseguiu uma reunião com a Secretaria Estadual de Educação “queríamos uma articulação para que alguém nos recebesse. Em assembléia com a Secretária Milca, fomos muito bem recebidos, mas nenhuma solução nos foi dada.” Outra preocupação do estudante é em relação aos colegas “é muito triste saber que alguns colegas não vão estudar mais. Uma colega de sala vai desistir porque sua filha estuda no JK durante o dia e ela não quer sair de lá. Não é fácil voltar a estudar depois de tanto tempo parado. E infelizmente é uma vitória que nem todos conseguirão concluir”.
Kaio ainda analisa que este tipo de economia não é benéfica se analisado o custo beneficio que isso trará. “A única economia que teremos é em relação a energia e merenda, que é insignificante perto do que esses alunos irão perder. Tendo em vista que os funcionários são concursados e terão de ser remanejados para outros colégios. Além do guarda noturno que vai ter que continuar lá. Ou seja, a escola continuará aberta.”
Juliane Souto
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