Em entrevista exclusiva ao SINTEGO, a Secretária Estadual de Educação, Milca Severino, expôs sua opinião sobre trabalho coletivo nas escolas, avaliação, terceira nota na avaliação e concurso público.
TRABALHO COLETIVO
“A Secretaria de Estado de Educação de Goiás tem orientado todas as subsecretarias, e consequentemente todas as escolas, a respeito da importância do trabalho coletivo como uma estratégia para o bom planejamento das atividades pedagógicas e administrativas das unidades escolares.
O trabalho coletivo faz parte das obrigações trabalhistas de todos os servidores da Rede Estadual de Educação. Ele tem como objetivo, além de discutir o projeto pedagógico, as questões administrativas e o funcionamento da escola em todas as suas dimensões e possibilidades, promovendo também o envolvimento e a integração entre os diferentes atores que tocam a escola.
Dentro desta realidade, a escola tem uma autonomia administrativa – que não é sinônimo de soberania. É uma autonomia para decidir o método, o dia em que vai se reunir, a forma de realizar o trabalho coletivo. A Secretaria estabelece os princípios, os conteúdos que deverão ser debatidos, as orientações básicas e a escola, no seu coletivo, define como esta discussão será feita. A Secretaria não impõe à escola a forma de se fazer o trabalho coletivo, até porque a Secretaria deseja que a escola utilize toda a sua criatividade, o seu conhecimento, a sua realidade para definir data e metodologia.”
AVALIAÇÃO
“Eu dou todo apoio ao SINTEGO, que tem o direito de fazer todas as suas reivindicações em nome da categoria. E o sindicato tem sua filosofia, sua intencionalidade... Mas tenho em minhas mãos um mapa sobre as avaliações, que me deixa bastante tranquila, pois estamos com praticamente todas as avaliações realizadas. Das 38 subsecretarias, apensas seis ainda não tabularam os dados das avaliações, mas já estão em fase final deste trabalho.
Sobre esta avaliação, eu solicito ao SINTEGO a compreensão para manter do jeito que está. Mas adianto que temos aqui na Secretaria um grupo de trabalho, coordenado pela professora Edivânia, para manter o diálogo com o Sindicato e fazer todos os ajustamentos e aperfeiçoamentos nas avaliações futuras. Esta, de 2008, nós não vamos inviabilizar, pois já cancelamos uma avaliação, a de 2006.
Nós temos o dever legal e ético de ter uma avaliação pronta urgentemente, então, não vamos mexer nesta que está praticamente pronta. A comunidade escolar já respondeu aos questionamentos e conto com a compreensão do SINTEGO para trazer suas demandas para o debate sobre as próximas avaliações, sem nenhum problema.”
SOBRE A TERCEIRA NOTA NA AVALIAÇÃO
“O SINTEGO já trouxe várias vezes essa preocupação com a metodologia, de colocar uma nota a mais ou a menos. Nós, da Secretaria, estamos sempre dialogando com a escola. E vou dizer uma coisa, com toda a minha experiência em pauta: sempre teremos pessoas contra e pessoas a favor. É uma questão complexa.
Uma coisa eu deixo registrada: a avaliação não será utilizada para prejudicar. Ela será utilizada para aperfeiçoar o trabalho, os nossos resultados e viabilizar novos alvos a serem alcançados, na perspectiva da melhoria da educação de Goiás. De modo que ninguém tem que ficar com medo. A avaliação é formativa, pró-ativa, educativa.
Agora, evidentemente, quando uma pessoa não cumpre com suas obrigações trabalhistas e profissionais, não é avaliação que está prejudicando ela. Ela é que não cumpriu com suas obrigações. Mas aí é outra coisa.
Reforço que neste momento não temos como alterar o processo avaliativo, porque já fizemos isto assim que assumimos a Secretaria, pois era necessário fazer. Precisamos, sim, consolidar o processo que está em andamento, dentro dos parâmetros utilizados. E, neste momento, não é necessária uma divergência sobre este assunto entre o sindicato e a comissão encarregada de realizar a avaliação.”
INSISTINDO SOBRE A TERCEIRA NOTA
“A Secretaria de Educação, por meio de sua Comissão de Avaliação e Desenvolvimento, está agendando um encontro de qualificação da rede, onde um professor de cada unidade de ensino participará com o objetivo de debater todos os problemas relativos ao processo de avaliação. Eu sugiro ao SINTEGO que oriente os representantes das escolas para trazerem todas as suas preocupações e sugestões no aperfeiçoamento do processo de avaliação.
Eu gostaria de desmistificar que a avaliação é um bicho de sete cabeças; a avaliação é importante em todo o processo de trabalho e não poderia ser diferente. E novamente, convido o sindicato para estar presente neste nosso debate para a construção do próximo projeto de avaliação, com todos os aperfeiçoamentos que serão feitos, num grande diagnóstico do processo de avaliação. ( Data prevista para novembro ou dezembro )”
CONCURSO PÚBLICO
“A nossa expectativa é de que o concurso público para o quadro de professores, com um total de 4.291 vagas, deve sair nos próximos dias. Ainda não temos a data exata, pois foi feito o processo legal para seleção da instituição que vai operacionalizar o concurso e em breve será publicado o edital.
Posso adiantar que o processo está bastante avançado, até porque o governador ( Alcides Rodrigues ) tem cobrado da Secretaria de Educação e da Secretaria de Ciência e Tecnologia o andamento deste processo, porque o governador autorizou o concurso em novembro do ano passado. A demora advém do trâmite legal, que tem que ser cumprido neste momento, e que tem que ser devidamente respeitado.
Para o quadro técnico-administrativo, a Secretaria de Educação ainda não elaborou sua proposta, porque nós estamos observando a necessidade de se fazer um aperfeiçoamento no plano da categoria. Tenho quase certeza que, por conta deste aperfeiçoamento, o concurso não deve sair este ano.”
Esta entrevista com a secretária Milca deve-se ao fato de inúmeras informações contraditórias nas escolas e não condiz com o que o Sintego tem discutido e acertado com a SEDUC, motivo que nos levou a apresentar as palavras da própria secretária e que a íntegra da gravação se encontra no Sintego central.
Ludwaler Rodrigues
Secretário de Comunicação